
Lidar com a infertilidade vai muito além do corpo. Ela também mexe, e muito, com a cabeça. Afinal, esse é um caminho marcado por expectativas, exames e esperas que testam qualquer pessoa.
Por isso, entender essa relação é essencial para cuidar de si com mais gentileza durante o tratamento.
Uma via de mão dupla 🔄
A ligação entre saúde mental e infertilidade funciona nos dois sentidos. Ansiedade e depressão podem, inclusive, contribuir para dificultar a concepção.
Ao mesmo tempo, o estresse gerado pela própria infertilidade e pelo tratamento frequentemente desencadeia sintomas ansiosos e depressivos. É um ciclo que se retroalimenta.
Além disso, os medicamentos usados nos tratamentos de fertilidade também podem influenciar o humor. Irritabilidade, oscilações emocionais e ansiedade são efeitos relativamente comuns.
O que os números mostram 📊
Os dados chamam atenção. Até 40% das mulheres que enfrentam infertilidade possuem algum diagnóstico psiquiátrico associado.
Entre os transtornos mais frequentes estão:
- Transtorno de ansiedade (23,2%);
- Transtorno depressivo maior (17%);
- Distimia (9,8%).
Esses números reforçam que o sofrimento emocional não é exceção. Pelo contrário, ele é parte comum dessa jornada e merece atenção profissional.
Alimentação como aliada 🥗
A boa notícia é que existem estratégias para apoiar a saúde mental durante esse processo. A alimentação é uma delas.
A dieta MIND, por exemplo, é um padrão alimentar baseado em plantas voltado para a saúde do cérebro. Ela prioriza dez grupos de alimentos protetores, entre eles vegetais folhosos, frutas vermelhas, nozes, feijões, grãos integrais, peixe, aves e azeite.
Em contrapartida, ela recomenda restringir queijo, carne vermelha, frituras, doces, manteiga e margarina. A ideia não é a perfeição, mas o equilíbrio possível no dia a dia.
Alimentos para incluir na rotina 🍓
Algumas opções simples já ajudam a montar um cardápio mais protetor. Vale apostar em:
- Folhas verdes como espinafre, rúcula e couve;
- Frutas vermelhas: mirtilo, morango e amora;
- Sementes de chia, linhaça e gergelim;
- Cereais integrais como quinoa e arroz integral;
- Peixes, ovos e frango como fontes de proteína;
- Leguminosas, como feijão-carioca e lentilha;
- Oleaginosas, como castanha-do-pará e nozes;
- Azeite de oliva como principal gordura.
Chás de camomila, lavanda e melissa também podem compor momentos de pausa e relaxamento ao longo do dia.
Cuidado que vai além do corpo 💛
Diante de tudo isso, fica claro que tratar a infertilidade exige um olhar mais amplo. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.
Buscar apoio psicológico, contudo, não deve ser visto como fraqueza. Trata-se de um passo natural dentro de um processo desafiador.
Em resumo
A relação entre saúde mental e infertilidade é próxima e constante. Ansiedade, depressão e estresse caminham junto com esse processo, assim como o próprio tratamento pode intensificar esses sintomas.
Por isso, aliar acompanhamento psicológico a hábitos alimentares protetores, como os da dieta MIND, pode fazer diferença real no bem-estar. Cuidar da mente também é cuidar da fertilidade.
Referências: American Psychiatric Association. Resource Document on Psychiatric Aspects of Infertility, Feb. 2019. The Journal for Nurse Practitioners, Volume 19, Issue 2, February 2023, 104471. https://doi.org/10.1186/s12888-024-06165-5
